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CECÍLIA COSTA

 

Não tenho telhados de vidro

mas os meus sapatos são de cristal

28/11/2017 - 25/02/2017

folha de sala

Não tenho telhados de vidro mas os meus sapatos são de cristal

 

 

Não sendo absolutamente necessário, não deixa de ser expectável que a arte vire o mundo ao contrário.
Mais raro é, contudo, um artista fazê-lo duas vezes de seguida e sem permitir que a segunda volta restabeleça a ordem das coisas, ainda que alteradas pelas sucessivas cambalhotas.

Ora é precisamente essa a operação que Cecíia Costa propõem com "Não tenho telhado de vidro mas os meus sapatos são de cristal".
A primeira das duas travessuras levadas a cabo pela artista consiste na tentativa, previa e conscientemente condenada ao desastre, de trocar as voltas à actuação da gravidade, fingindo que o peso é um pormenor de descartável importância.

A segunda mostra-nos que essa hipótese, quase risível de tão absurda, pode em si conter uma inesperada validade.
Pelo menos no mundo paralelo e de vistas mais arejadas que a arte constrói dentro do outro.

 

 

 

Carlos Correia

Janeiro 2017

 

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