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O ARMÁRIO

 

FELIPE ARTURO

 

Huerequeque: Actor-Autor

30/04/2016 - 31/05/2016

folha de sala

 

 

Huerequeque: Actor-Autor

Felipe Arturo

2016

 

 

Huerequeque, que responde pelo nome de Enrique Bohóquez de Liguori, chegou a Iquitos na Amazónia peruana em 1945, com a idade de 15 anos. Desde então, Huerequeque embarcou em múltiplas economias de extracção e comércio da selva - como o ouro - o couro ou a madeira, em rios distantes dos centros urbanos.

No final dos anos 60 e início dos anos 70, Huerequeque mudou-se com a sua família para a cidade de Iquitos, onde estabeleceu o Bar Huerequeque no porto de Nanay.

 

A passagem pelos rios e aldeias das selvas peruanas permitiram a Huerequeque desenvolver uma obra poética e narrativa que até hoje não conseguiu ser publicada, repousando assim delicadamente na sua memória e em alguns manuscritos e transcrições já em deterioração. Deste modo, a sua obra literária é essencialmente transmitida oralmente aos visitantes que esporadicamente frequentam o seu bar.

 

Em 1972 Huerequeque participou pela primeira vez na produção de um filme, coordenando na construção de um barco sobre a copa de uma árvore, para uma cena de Aguirre, do realizador alemão Werner Herzog. Em 1977 Herzog voltou para Iquitos para filmar um segundo filme na Amazónia, seria ele Fitzcarraldo. No guião do filme havia uma personagem chamada Huerequeque, cujo papel era o de um cozinheiro embriagado de um barco, que sabia traduzir a língua e costumes da selva e do mundo indígena.

Inicialmente o papel era para ser interpretado por um comediante mexicano chamado Resortes. No entanto, após diversos problemas na produção do filme com a sua interpretação, Resortes foi retirado do filme e Huerequeque foi contratado para interpretar o papel inspirado em si mesmo.

 

Depois da participação em Fitzcarraldo, Huerequeque passou a usufruir de alguma celebridade local e com isso muitos visitantes locais passaram a ser encaminhados para o Bar Huerequeque a fim de ouvirem as histórias do filme e da época do boom da borracha em Iquitos.

 

Paradoxalmente, a sua personificação no filme, interpretando-se a si prórpio, conseguiu fazer de Huerequeque um actor reconhecido, ofuscando o reconhecimento da sua própria produção narrativa.

 

Nesta apresentação propõe-se confrontar estes dois papéis de Huerequeque, como actor e autor, utilizando o armário como elemento museográfico.

Na parte da frente do armário, sobre uma prateleira é apresentado um vídeo constituído por frames das aparições de Huerequeque em Fitzcarraldo.

Na parte de trás do armário, o vídeo aí projectado corresponde a três versões documentais do poema Amazonas.

 

 

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