uma espécie de lugar

Olho por entre a paisagem e sinto ausência da vida humana. A natureza continua na sua ordem natural. Os pássaros cantam, a erva e as folhas agitam-se ao sopro do vento. Existe um silêncio “humano”. Porque a natureza, essa tornou-se mais ruidosa do que nunca. A sensação por breves segundos de uma erradicação da raça humana, gela-me as entranhas e provoca-me pânico. Claro que não é o caso, mas só a breve e violenta sensação de solidão e medo, desorganiza-me. Este sentimento viaja comigo todos esses dias.

O esforço da rotina, interrompida pela falsa concepção da ideia de norma, agoniza o sensu.
As noites são um buraco, escuro e fundo. Procuro um estalar, um ruído, um qualquer movimento, pequeno que seja, para conseguir existir. O pensamento não chega. Eu tenho que sentir.

14 de Novembro de 2020

Martinha Maia