“.... o armário era um presente de casamento, uma peça sólida de mogno vitoriano. A metade superior separava-se e era constituída por três prateleiras por trás de portas de vidro que se fechava à chave. A base era constituída por gavetas com puxadores de latão que também se fechavam à chave. Isobel tinha transformado o seu presente de casamento no “museu da família”.

Shakespeare, Nicolas, Bruce Chatwin, pág. 54.

Para Bruce Chatwin, o armário da sua tia Isobel viria a influenciar profundamente a sua obra literária; as prateleiras e as gavetas que o constituíam eram um repositório de colecções, movimentos e histórias. Como refere o seu biógrafo, o armário foi para Chatwin o seu ponto de partida.

Do mesmo modo, o Armário pretende ser o ponto de partida de um projecto que passa por convidar diferentes artistas a intervir neste espaço específico. O armário em madeira, que dá o mote ao projecto, é também constituído por duas portas em vidro, três prateleiras e duas gavetas com puxadores em latão. As obras produzidas para este lugar, podem fechar-se atrás do vidro ou estenderem-se para o espaço exterior ao armário.

Ao artista é dado livre arbítrio, podendo utilizar todos os meios na resolução do desafio. A única condição é não mover o armário para fora da sala onde se encontra e respeitar a sua integridade.